segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Como se adaptar à reforma ortográfica?

''Já reparei outro dia
Que o teu nome, ó Yvone
Na nova ortografia
Já perdeu o picilone''


Composto em 1931 por Noel Rosa, em homenagem à irmã de um amigo seu, o samba Picilone faz referência ao acordo ortográfico de 1931, assinado pela Academia Brasileira de Letras e pela Academia de Ciências de Lisboa. O Poeta da Vila, atento que era às mudanças de seu tempo, registrou a saída das letras K, W, Y do alfabeto brasileiro. A partir de janeiro de 2009, por conta do novo acordo ortográfico entre a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, essas letras serão reintegradas ao abecedário do Brasil, dentre uma série de mudanças na ortografia que deverá ser respeitada por todos os países lusófonos. Em vez de escrever "idéia", você grafará "ideia". No lugar de "vôo", "voo"; de "pára-quedas", "paraquedas", além de excluir tremas, hífens e outros acentos do vocabulário.

Depois de incontáveis polêmicas acerca da necessidade e até da validade da reforma, o mercado editorial e os escritores começam a se preparar para lidar com as novas regras. A Companhia das Letras e a Record, duas das mais importantes editoras do país, já se programam para lançar, no início de 2009, a maioria de seus livros ajustados à nova ortografia.

Embora o volume de trabalho tenha aumentado muito, novos revisores e preparadores de texto ainda não foram contratados. "Ainda não chamamos mais profissionais. O que estamos fazendo é investir pesado na preparação dos nossos funcionários e colaboradores, com cursos e palestras", declara Sergio Windholz, diretor financeiro da Companhia das Letras.

Na Record, o processo de preparação segue no mesmo ritmo. Segundo Sérgio França, coordenador editorial da empresa, os funcionários da casa estão treinados e não se descarta a contratação de mais mão-de-obra. "Acho que precisaremos de mais profissionais, sim. A Record publica cerca de 600 reedições por ano e, para cada uma, serão pelo menos duas revisões. É um grande aumento nas atividades", diz França.
A trabalheira se deve à necessidade de revisar todos os livros por inteiro, tanto os que serão reeditados quanto os que estão na lista de lançamentos. Apesar de as alterações somarem cerca de 1,5% do total do texto aqui no Brasil - em Portugal, esse índice sobe para 3%, já que consoantes mudas deverão ser eliminadas de palavras como "facto" - é preciso examinar cuidadosamente todo o material. Windholz cita um exemplo: "Em duas edições de livros que entregamos recentemente ao governo, já com a ortografia corrigida, foi feita pelo menos uma alteração em mais de 90% das páginas".

Por conta desse processo trabalhoso e oneroso, livros lançados há pouco, ainda com a ortografia corrente, deverão permanecer nas livrarias até serem comprados. Ou ao menos até 2012, data em que acaba o período de transição entre as ortografias e passa a ser obrigatório seguir as novas regras à risca.

É o caso do novo romance do escritor Daniel Galera, Cordilheira, recém-lançado pela Companhia das Letras como parte do projeto Amores Expressos. "Se os exemplares desta obra esgotarem em quatro meses, é provável que façamos uma segunda edição sem as alterações, já que acabamos de lançá-la", prevê o diretor financeiro da Companhia das Letras. "Não vai ser possível reimprimir todos os livros na nova ortografia já em 2009. Temos até 2012 para fazer isso. Melhor corrigi-los aos poucos, principalmente por conta dos custos", comenta Windholz.

E esse custo de revisões e reedições seria repassado aos consumidores? Sérgio França, da Record, diz que não. "O mercado dos livros exige muito cuidado. Não pretendemos aumentar o preço dos exemplares por causa da reforma, até porque o valor a ser acrescentado por unidade seria muito pequeno".

Quanto aos escritores, cada um adota uma postura muito pessoal. Não há uma tendência que se sobreponha e, no geral, eles não parecem estar tão preocupados com as mudanças na língua. Antonio Prata, jovem escritor e cronista, titubeou ao ser questionado sobre a reforma. "Para falar a verdade, não tinha pensando sobre esse assunto ainda. Não sou a favor nem contra", diz. "Vou terminar meu livro, que vai ser lançado no ano que vem [também pelo projeto Amores Expressos] com a grafia a que estou acostumado. Já me confundo com essa ortografia! E acho que quem vai cuidar da adequação à reforma vai ser um revisor".

Já Sergio Sant'Anna, escritor que publicou seu primeiro livro em 1969, vai corrigir ele mesmo o romance que está preparando neste momento. Da mesma forma que alterou a grafia de Notas de Manfredo Rangel, Repórter, livro lançado em 1973, dois anos depois da última reforma ortográfica, ocorrida em 1971. "Essa vai ser uma preocupação para a fase de finalização do livro, depois que eu terminar de contar toda a história", diz Sant'Anna.

Para uma última revisão, o escritor poderá munir-se das versões atualizadas dos dicionários Aurélio e Houaiss e sair à caça de tremas, acentos e hífens que já serão obsoletos.

FONTE:http://bravonline.abril.uol.com.br/conteudo/assunto/assuntos_398887.shtml


Eu ainda sou contra essa reforma ORTOGRÁFICA,ao meu ver a reforma deveria ser no Ensino e nas Instituições(escolas,colégios,etc.)
A questão não é de ADAPTAÇÃO ,e sim de termos de REaprender Português!!!Como se não bastasse tantas aulas mecânicas as quais fomos submetidos, ainda querem tirar os pingos dos Us!!!!!!!!
E o que faremos com os hífens e acentos que custamos a aprender???Esteticamente falando, a coisa vai ficar feia!!!!!

8 comentários:

Nαny / x3 disse...

retribuindo a visitaa ♥__♥
tipo. .Obrigadaa pelos parabens ,
*-*' e eu gostei do blog ;)

:*

Poisongirl disse...

Fico ensandecida com a idéia!...
Sabe o que me soa por mais que eu leia as mil explicações : coisa de gente preguiçosa.

De política do menor esforço - pro lado deles , claro.Afinal voltaremos a ser quase analfabetos logo , logo...

Adriana disse...

Também sou contra essa reforma!! Mas tem jeito?...

Heliana, seja muito bem-vinda ao meu blog 'espirita na net'! Que bom saber que vc veio da casa da vovó, a Rô é uma pessoa muito querida! Olha, eu jamais ficaria chateada, pode linkar, visitar, indicar, comentar... Fique à vontade, tá? A casa é sua! Fico feliz que tenhas gostado! Volte sempre! Bjos e tudo de bom pra vc! Tenha uma ótima semana!

Unknown disse...

O blog tá ficando incrementado hein?! Depois quero umas dicas também. Bjks

Anônimo disse...

Acho feio escrever sem trema. Acho feio repetir as consoantes. Acho feio comer o hífen.

Com um presidente que não sabe nem escrever direito, nós é que temos que 'reformar o idioma'. Afff


Beijocas
www.lizziepohlmann.com

Comulot disse...

Nossa. antes eu achava q era uma coisa sem sentido essa reforma, mas depois de ler o teu texto me tornei a favor dela. Pra mim tudo o q muda é q eu vou ter q baixar uma atualização a mais pro word....

Vampira de Luxo disse...

Revolta! Surto! Acho um absurdo o Lula querer que a gente fale Lulês! Qual a relevância para a nossa economia falar como o povo de Portugal e Cabo Verde?
Se querem tanto que haja uma língua unica por que não fazem como nesses países que falam uma língua oficial e existem os dialetos? Não ia achar demérito nenhum falar o "dialeto Brasileito" ou "dialeto Português" desde que fosse ensinada a bela forma lingüístixa que Camões nos presenteou.
Se querem fazer uma língua Portuguesa para turistas que façam, MAS DEIXEM A PORRA DA NOSSA LÍNGUA PARA NÓS! E EM PAZ!
Que raio de presidente paga-pau para tudo que é estrangeiro! O pior foi a Academia Brasileira de Letras achar isso lindo. Queria saber o que Joaquim Maria Machado de Assis fundador da Academia acharia disso? Ahh.. Esqueci ele morreu, no seu lugar estão as Pérolas de Paulo Coelho e afins... Sem mais.

Vampira de Luxo disse...

Revolta! Surto! Acho um absurdo o Lula querer que a gente fale Lulês! Qual a relevância para a nossa economia falar como o povo de Portugal e Cabo Verde?
Se querem tanto que haja uma língua unica por que não fazem como nesses países que falam uma língua oficial e existem os dialetos? Não ia achar demérito nenhum falar o "dialeto Brasileito" ou "dialeto Português" desde que fosse ensinada a bela forma lingüístixa que Camões nos presenteou.
Se querem fazer uma língua Portuguesa para turistas que façam, MAS DEIXEM A PORRA DA NOSSA LÍNGUA PARA NÓS! E EM PAZ!
Que raio de presidente paga-pau para tudo que é estrangeiro! O pior foi a Academia Brasileira de Letras achar isso lindo. Queria saber o que Joaquim Maria Machado de Assis fundador da Academia acharia disso? Ahh.. Esqueci ele morreu, no seu lugar estão as Pérolas de Paulo Coelho e afins... Sem mais.